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A democracia venceu ou caminhamos para uma ditadura de esquerda?
Walber Gonçalves de Souza - Escritor, Professor e Palestrante
Por Geraldo Neves dos Reis
Publicado em 28/10/2026 05:39
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Walber Gonçalves de Souza

O pós-eleição é marcado por debates, reflexões e apontamentos sobre qual caminho o país seguirá. Nessa direção, uma questão é latente em várias rodas de conversa: a democracia venceu ou caminhamos para uma ditadura de esquerda? Eis o dilema que vivemos.

Geralmente, associamos a democracia ao ato de votar e escolher nossos representantes, mas não necessariamente podemos afirmar que ela se restringe a esse ato, pois ele pode esconder traços que não condizem com a democracia. Como exemplo, podemos citar a história recente da Venezuela e da Rússia, pois são países que “elegem” seus líderes políticos (presidentes) pelo voto popular. Mas o processo é, de fato, democrático?

Outro ponto a ser discutido é o modus operandi de qualquer ditadura. Praticamente, elas nascem e se concretizam da mesma forma; portanto, há muita coisa em comum entre elas. Os regimes ditatoriais se consolidam, praticamente, seguindo sempre os mesmos passos: executam a censura, dominam as instituições públicas, cerceiam a liberdade, perseguem seus opositores, manipulam o povo por meio de propagandas governamentais, criam políticas populistas, constroem a figura do “salvador da pátria”, pregam a esperança e, principalmente, criam formas de controle sobre a vida dos cidadãos. Tanto faz se a ditadura é de direita ou de esquerda: o método é sempre o mesmo.

É justamente na junção desses pontos que nasce a dúvida que intitula este texto, pois, lentamente, estamos praticamente reproduzindo, ou nos propondo a reproduzir, ponto a ponto, os passos descritos acima. E o que não faltam no Brasil são fatos que, segundo essa interpretação, comprovam vários desses fatores, mesmo que muitos digam o contrário.

Mas, para exemplificar, vamos resgatar o que está acontecendo com o STF, que deveria ser o guardião da Constituição e, portanto, o maior defensor dos direitos das pessoas. Aos poucos, ele está sendo tomado por pessoas que defendem pessoas, e não a lei. O vencedor do atual pleito eleitoral poderá indicar cerca de quatro ministros. E qual será o perfil dos escolhidos? Seus conhecimentos jurídicos estarão a serviço de quem ou do quê? Quais serão os propósitos escondidos em cada acórdão? Como não temos uma resposta convicta para nenhuma dessas perguntas, como podemos afirmar que nossa democracia está viva e pujante?

Outro ponto que merece reflexão: é justo e moral que, mesmo com os partidos políticos recebendo verbas eleitorais, um candidato à reeleição aos cargos de governador ou presidente utilize, além das mencionadas verbas, o aparato do Estado para fazer sua campanha eleitoral? Ou deveria haver uma separação entre as atividades de governante e as de candidato? A força do poder estatal não configura uma forma disfarçada de ditadura? Afinal, isso não iguala as condições de disputa.

As ditaduras (de esquerda ou de direita) não nascem de um dia para o outro; elas vão ganhando forma. Por incrível que possa parecer, muitas possuem apoio popular, pois, no embrião de praticamente toda ditadura, espalha-se a ideia de que dela virá o fim das mazelas sociais. Todavia, quando ela ganha sua verdadeira forma, o que se vê e vivencia é uma tragédia travestida de “mal necessário” para conquistarmos o objetivo maior, que nunca acontece.

Assim, vamos vendo, dia após dia, nossa frágil democracia sangrar e abrir espaço para “tiranos democráticos” que querem instalar e perpetuar, a todo custo, sua forma de pensar, atuar e governar, mas sempre em benefício do próprio grupo político.

Walber Gonçalves de Souza é professor, escritor e palestrante (@prof.walbao).

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